segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Os significados teológicos da morte de Cristo na cruz


A morte de Cristo não foi somente um acontecimento histórico, resultado da vida de alguém que pregou a justiça e o amor, e que confrontou a injustiça de muitos. Não. A morte de Cristo fazia parte de um plano eterno, realizado em favor da humanidade e de todo o “cosmos”, para que fosse operada a nossa salvação.



É possível alguém passar anos a fio dentro de uma igreja e ainda assim não saber os efeitos a morte de nosso Senhor, dai o porquê de estudarmos alguns deles (este estudo não esgota um assunto tão denso, mas espero que estimule a curiosidade dos leitores para um aprofundamento).



JESUS MORREU EM NOSSO LUGAR - SUBSTITUIÇÃO

Jesus morreu em nosso lugar. Ele levou sobre si os nossos pecados para que nós não sofrêssemos as consequências deles, que seria a eterna separação de Deus.

Segundo as Escrituras: “Cristo morreu por todos, logo, todos morreram” (2Co 5.14). Pedro ainda disse que Jesus “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para o pecado, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados” (I Pe 2.24). Aos romanos, Paulo escreveu: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5.8)”.

O conhecimento de que fomos substituídos por Cristo em sua morte deve nos levar à adoração ao nosso Senhor e Salvador, tanto com nossos lábios, como com o coração e um reto proceder.

 
JESUS NOS RESGATOU DO PODER DO PECADO - REDENÇÃO

O próprio Jesus afirmou: “O próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e dar a sua vida em resgate de muitos” (Marcos 10.45). A ideia é a de que vivíamos em um cativeiro, e que um preço muito alto precisaria ser pago para sermos libertos. O preço foi a própria vida de Jesus. Resgatar significa libertar por um preço. Cuida-se de um resgate moral, um resgate de nossa condição pecaminosa e transgressora da lei. Paulo escreveu a Tito: “O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras”. (Tito 2:14). Paulo também ensinou: “... qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai” (Gálatas 1:4). Esta redenção ainda não se completou, pois a criação ainda geme e aguarda o cumprimento total de nossa redenção.

Paulo ensinou a necessidade de os que estavam sob a lei serem resgatados (Gálatas 4.4-5). Pedro ainda diz que não fomos resgatados por coisas corruptíveis como prata ou ouro, mas com o precioso sangue de um cordeiro sem defeito ou mácula, a saber, o corpo de Cristo (I Pedro 1.18-19). Os presbíteros da igreja são chamados à supervisionar a igreja que foi comprada (resgatada) por preço de sangue (Atos 20.28). Falsos mestres, que ensinam a libertinagem, renegam o “soberano Senhor que os resgatou” (2 Pedro 2.1).

Tendo em vista que fomos resgatados do poder do pecado, temos que servir a Deus em santidade, pois quem comete pecado, deste se faz escravo.

A MORTE DE CRISTO NOS LIVROU DA IRA DE DEUS – PROPICIAÇÃO

Propiciar significa “apaziguar ou pacificar” a ira. As Escrituras ensinam que a ira de Deus se mantém sobre aquele que é rebelde ao Filho (João 3.36). “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detém a verdade pela injustiça” (Rm 1.18). Paulo diz que antes de nos convertermos éramos por natureza “filhos da ira como também os demais” (Efésios 2.3). Modernamente parece chocante a ideia de que Deus se ira, mas é justamente isso que as Escrituras dizem acerca de d’Ele. Sua ira é uma justa reação a todo o pecado. Todos aqueles que não se livrarem de todos os seus pecados, pela fé em Jesus, sofrerão a ira de Deus. Paulo escreveu que Deus o propôs (a Cristo) “como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça” (Rm 3.35). João também ensinou que Jesus Cristo é a “propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (I Jo 2.2).

A MORTE DE CRISTO REALIZOU A RECONCILIAÇÃO

Reconciliar significa “restaurar uma relação que estava rompida”. As nossas iniquidades fazem separação entre nós e o nosso Deus (Isaias 52.2). Entretanto, o sangue de Jesus derramado na cruz do Calvário nos abriu acesso à amizade para com Deus. Paulo escreveu: “Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação” (2 Co 5.18). E ainda: “E que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus” (Col 1.20). Importante salientar que é Deus quem é o autor da reconciliação: “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos entregou a palavra da reconciliação” (2Co 5.19).

 
A MORTE DE CRISTO REALIZOU A JUSTIFICAÇÃO

Justificar significa tornar justo. A ideia é uma imagem de um tribunal. Um juiz justificando, declarando alguém justo. Quando uma pessoa, pela fé, confia em Cristo para a sua salvação, não confiando em sua justiça própria e obras, dizemos que ela é justificada por Deus. Somos justificados pela graça de Deus: “sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.23). Somos justificados pelo sangue de Cristo: “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5.9). Somos justificados pela fé em Cristo: “Justificados, pois, pela fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1). 

E com alegria, portanto, que podemos dizer: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). Tudo isso se dá pela graça de Deus: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; isto não vem de vós, é dom de Deus, não de obras para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8). Que possamos sempre nos lembrar dos maravilhosos efeitos da morte de Cristo sobre nossas vidas para podermos bendize a Deus por tão grande salvação. São maravilhosas e indescritíveis as obras que Deus realizou em nosso favor, por intermédio de Cristo Jesus. Quando o Pai nos deu o Filho, na verdade, deu de Si mesmo e do seu melhor, pois Eles são Um. Se Ele já deu o seu melhor, que era o Filho, como não dará também com Ele todas as demais coisas? Que o Senhor possa nos dar a cada dia uma maior compreensão e gratidão pelas maravilhas que, na cruz foram operadas em nosso favor.
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